Poucas vezes usei este espaço para expressar minha opinião sobre qualquer fato que não me diga respeito. Gosto de postar músicas, literatura e artes em geral, enfim, coisas que fazem a vida mais bela e delicada.
No entanto, mesmo sem me manifestar aqui, ando cansada da grande mídia, do blablabá politicamente correto, do ufanismo hipócrita, do sentimentalismo teatral, do superficialismo da informação, da tendenciosidade, da ausência de lógica, e de todas as pragas que vão distorcendo o raciocínio dos preguiçosos mentais. A impressão que tenho é que as pessoas abrem mão de ter sua própria opinião e adotam como verdade tudo que compõe as manchetes sem nenhum aprofundamento na notícia. Alguns por falta de cultura, outros por leviandade.
A gota d'água para mim foi o caso do menino Sean. De um lado, uma importante e poderosa família da área jurídica brasileira, de outro, um pai americano de classe média que luta há cinco anos para ter seu filho de volta.
Venho acompanhando essa história pela Internet desde que o pai da criança decidiu escancarar na mídia o seu drama pessoal. Faz muito tempo já. Ironicamente esse homem se chama David, como o do mito, o que derrotou o gigante Golias. Durante anos, David lutou em desigualdade com os poderosos. Durante anos, David foi privado de conviver com Sean. Durante anos, foi desrespeitado pela mãe de seu filho, pela família dela, e pela família do homem com quem ela se casou aqui no Brasil depois de uma "quase fuga" dos USA.
A mãe de Sean foi a principal responsável por todo esse imbroglio, mas nunca saiu uma linha sobre ela na mídia, ou melhor, saiu sim, "ela morreu no parto da filha que teve com o marido brasileiro", o tal da família rica e poderosa. Na cultura latina quem morre vira santo, ou "boníssima alma", tão comum nos obituários, mesmo que a bondade e o falecido nunca tenham sido apresentados. Então, como esperar que alguém tenha a coragem de publicar que foi a mãe do menino a causadora de tudo que vem acontecendo?
Pessoas casam, separam, casam outras vezes, isso não provoca mais espanto ou censura. Se não tiverem filhos, é como um namoro que acaba, se tiverem, a coisa complica bastante. Como ninguém se separa porque tudo vai bem no casamento, as mágoas existem de ambas as partes, às vezes até ódio. É quase regra os filhos ficarem no centro do fogo cruzado na batalha que os pais travam pela guarda deles e pela partilha de bens.
Até quando vai existir a idiotice de que "mãe é mãe" e pai é "segunda categoria"? Acaso todas as mães são a oitava maravilha do mundo? E o que dizer de um pai que cria muito bem o seu filho sem a presença da mãe? São tantos os exemplos, basta olhar em volta.
No caso de Sean, a mãe está morta, e a avó assumiu o lugar dela na disputa pela criança. Essa senhora passou dos limites depois do embarque do neto na companhia do pai. Teve o desplante de classificar a sentença como "desumana", de posar de vítima, chorando em público o tempo todo por "um" Natal sem o neto, e de acusar o governo pela decisão que ela chama de "moeda de troca" em razão de acordos comerciais Brasil-USA.
Menos, senhora, menos, por favor! Seja justa! Pare para pensar! Enquanto a senhora esteve com seu neto nos cinco últimos anos ‒ Natal incluído - o pai não teve essa mesma alegria. Como a senhora acha que David se sentiu na noite de Natal em cada ano que esteve privado da convivência com o filho? A senhora chora na mídia por um único Natal. David vem chorando por cinco anos... A senhora já criou seus filhos, tem uma neta brasileira, órfã de mãe, dedique-se a ela, deixe Sean ter a chance de conviver com o pai, é direito dos dois tentarem reestruturar a relação que lhes foi roubada pela sua filha.
Sean tem avós também nos Estados Unidos, a senhora lembra disso? Eles tem menos direitos que a senhora? Eles amam o neto também, e faz cinco anos que passam o Natal longe dele... a saudade não é exclusividade sua... a senhora começou a chorar por Sean faz pouco tempo... eles tem chorado por muito tempo...
Não seria bem melhor para o seu neto que as duas famílias vivessem em harmonia?
Ainda está em tempo de corrigir o erro que a sua filha cometeu.